sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coisas de MSN

Sabe quando duas pessoas trabalham junta e não se conhecem?
Pois é, tipo de conversa furada assim acontece... Um fala sério, sobre um quase acidente e o outro precisa dar o ar da graça... eu claro.
Eita desenho lindo. O Nando desenhou a roda e eu inventei a cena do carro...
Historinha. " O carro com 3 ocupantes voltando do Paraguai, passa por uma enorme cratera. O passageiro de traz se estica pra pegar as sacolas voadoras."

Até parece que não tem nada pra fazer...
Afinal, temos que esparar o Renatão gravar o áudio do Vt da loja Don Juan aqui de Lajeado.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

" Midnight Sun" - "Sol da Meia Noite"


Se eu pudesse colocar um rufar de tambores nesta postagem, eu faria com certeza! Então, imagine...

Em breve nas bancas, o quinto livro da série "Crepúsculo" de Stephenie Meyer. Nominado "Sol da meia noite", este livro recontará os fatos pela perspectiva de Edward Cullen. A obra explora os sentimentos do jovem vampiro por Bella Swan desde a primeira vista.
O desejo e o controle de Edward pelo sangue da humana e fragil Bella. O forte amor que ele sente por ela. O medo de machuca-la e de perde-la. Além de apresentar melhor outros personagem importantes, opiniões com relação ao romance humana/ vampiro e os dons que eles possuem, tanto vampiros e lobisomes.
PS: Uma cópia ilegal traduzina circula pela internet, cheios e cortes e erros. Para fãs com fluencia em inglês, Meyer disponibilizou os 12 primeiros capitulos em sua página da web. http://www.stepheniemeyer.com/

Especial de Domingo - Flagras


Depois de um semana molhada de tanta chuva. Nada melhor do que um findi para descançar e "se ibernar dentro de casa". O sábado tão esperado também teve seus momentos de pinga-pinga. Contudo, chega o domingão... a chuva dá uma tregua e o fim do dia reserva um belo por do Sol (entre núvens).
Para quem não mora com uma vista previlegiada da cidade como eu, nada melhor que arrumar um cantinho pra namorar.
O casal do flagra estava aproveitando o fim da tarde de domingo, bem acomodados no último andar desde prédio em contrução na rua João Pessoa.
Emoção, adrenalina... uhum!
Já estava escurecendo quando o casal de pombos resolveu deixar seu ninho... Embora existam pessoas que gostam do pedigo, é meio arriscado ficar andando por obras.

PS: Lembro quando tinha 12 anos e entrei numa reforma perto de casa. Minha mãe quase teve um ataque. Eu, quase tive um ataque!


PS2: O casal me viu tirando a foto... (risos)

domingo, 15 de novembro de 2009

Delírios por "Lua Nova"


Se você é fã da saga Twilight, (Crepúsculo), assim como eu, deve ter lido enlouquecedormente todos os livros.
Na última página, do último livro Breaking Dawn, (Amanhecer), você "assim como eu", respirou fundo, uma, duas ou quantas vezes foi necessário para aguentar a despedida da família Cullen.
Foi um "felizes para sempre" e foi um "adeus".
Nossa! Vamos esperar pela continuação da película com New Moon (Lua Nova). Agora, imagina minha anciedade, e sua também, claro!
Chega dia 20, pelo amor de Deus chega dia 20!!! Enfim é dia 20/11 e NADA DO FILME ESTREIAR NO CINEMA DO UNICSHOPPING.
Fim de semana de chuva, em casa, sem Lua Nova?
A boa notícia, segundo o cinema Arcoíres do Unicshopping de Lajeado, a estréia está prevista para dezembro. ALELUIA... Agora é voltar a torcer...chega dezembro, rápido, rápido!
Que venha Lua Nova...

Ficção com toque de Realidade Vitual.

O que nossa comunidade acharia de uma cidade sem crimes, onde meliantes podem ser detidos antes de cometer uma infração? – Séria perfeito! Responderia qualquer um de nós.
O filme de ficção cientifica Minority Report, lançado em 2002 é baseado no livro de mesmo nome, escrito por Philip K. Dick e publicado em 1956. O filme é uma narrativa futurista de uma sociedade sem crime.
A divisão Pré-crime faz parte da Elite da Policia do futuro. O controle da criminalidade é feita por paranormais chamados de Precogs, humanos com o “Don da Visão”. Unidos por um tanque, eles têm visões de futuros assassinados, que podem ser vistos pelo Pré-crime através de equipamentos digitais de alta tecnologia.
Assim no ano de 2054 o controle de homicídios deixava a sociedade mais segura. Pois os suposto assassinos eram presos antes da execução do ato. Uma sociedade mais segura, o sonho de qualquer cidadão do nosso mundo real. Porém toda essa ideia de segurança traz junto o fato da ausência de liberdade e do livre arbítrio.
No filme, o sistema do pré-crime é considerado totalmente confiável sem hipóteses de falhas. A premonição era obtida e o assassinato era impedido pela equipe do sistema. O filósofo Norbert Wiener designava a tecnologia como aliada da humanidade. A utopia da sociedade da informação transformaria o mundo. Para Wiener, as máquinas são equipamentos programados, trabalham corretamente, não erram. Contudo quem o desenvolveu foi o homem. Onde há uma mão humana pode haver uma falha, pois a falha é um problema do homem.
Assim no desenrolar do filme surge esta questão. Será o Sistema Pré-crime, perfeito? Criado pela mão humana e sem falhas! Afinal os três pré-cognitivos com o “Don da visão” acima de tudo, são humanos.
A mais sensitiva precog Agatha tem a visão que o líder da equipe de policiais John Anderton (interpretado por Tom Cruise) matará um homem em menos de 36 horas que, para ele, é desconhecido. Anderton analisa cada imagem perplexo pela cena e pela primeira vez coloca em dúvida a confiança que tinha no sistema. A garantia de que ele podesse não matar o desconhecido e afirmar que o poderoso pré-crime tinha uma falha.
A paranormalidade dos precogs age com relação ao tempo/ espaço. As visões mostram a hora e o local exato do que irá acontecer. O futuro real é virtualizado das mentes para o sistema, podendo ser acessado a qualquer momento. A Ruptura do espaço tempo é surpreendente e a não existência da liberdade é comprovada pelo mundo pós-humano do filme.
O policial John Anderton precisava entrar nos arquivos do programa pré-crime. Sendo um suposto assassino, a equipe do pré-crime estava atrás dele, não podendo mais voltar a seu ex local de trabalho para investigar. Na sociedade pós moderna todas as pessoas são ligadas em um sistema através da imagem de retina. Não há como se esconder, qualquer um pode ser localizado a qualquer momento, bancos, restaurantes, empresas, estações de trem, tudo é vigiado. Então, ele se obriga a fazer um transplante de corneas e voltar aos sistema.
Quanto mais evoluímos em tecnologia, mais nos prendemos e dependemos dela. Nos afastamos do corpo físico e espiritual e nos unimos à máquina. A vida fica menos intima e mais esposta ao mundo. Nos tempos atuais isso já é possível de visualizar. A internet nos conecta com todo o mundo. Sites de blogs e orkut apresentam um pouco da vida de cada usuário, a personalidade, as amizades e a família. Enfim, o filme Minority Report é uma ficção com um toque de Futura Realidade Vitual.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO


PS: Para quem está tentando entender um pouco esta obra, vai minha resenha. Demorei muito, mas valeu a pena. Ahh! Você vai precisar dela para aula de Redes e Sistemas de Comunicação com o prof. Leonel, e claro, muitas outras coisas...
A Fábula Admirável Mundo Novo é uma obra do escritor Aldous Huxley publicado em 1932.

O livro é uma narrativa utópica futurista de um cenário ilusório para a humanidade. O texto já inicia em um ambiente incomum para nosso tempo. Uma sala de incubadora onde “fetos” idênticos são gerados pré-condicionados biologicamente em um mesmo óvulo. O processo é controlado geneticamente e até o futuro psicológico desses indivíduos é manipulado para formar uma sociedade controlada e harmoniosa.
Assim as pessoas desse “novo mundo” que Aldous Huxley descreveu não geram filhos através de relacionamentos amorosos. Automaticamente o conceito de família que hoje honramos não existe no livro, sendo assim, abolido do vocabulário futuro os termos mãe e pai.
Para Huxley a utopia do mundo está ligada ao controle do homem sobre o próprio homem. Dividindo-os em duas classes ou como denominado no livro, castas superiores e castas inferiores. Estas cascas são as raças e classes, uma privilegiada e a outra desmerecida.
As castas superiores eram formadas por óvulos de qualidade e fertilizadas somente por esperma superior, sendo tratadas com pré-natal vip. As castas inferiores eram formadas de óvulos e espermas inferiores, sem cuidados e gerando noventa e seis gêmeos idênticos em apenas um óvulo. Portanto esta segunda classe de homens era designada por problemas e imperfeições.
Analisando as duas castas (classes) posso dizer que vivemos num mundo dividido, quase tão drasticamente quanto imposto por Huxley. O homem da luxuria, dos cargos importantes, tendo acesso às novas tecnologias, classe media/alta, o “superior”. E os desprivilegiados, sem casa, sem emprego, vivendo no deslumbre dos mais poderosos, classe baixa, “inferiores”
No mundo utópico de Huxley o consume de drogas era comum e liberado. A droga é utilizada para controlar sentimentos de ansiedade e stress. Denominada “soma”, aparentemente não causava efeitos colaterais, mas utilizando em excesso causa parada respiratório. (Causa da morte de Linda). Essa substância deixava a sociedade viver feliz e pacífica, reprimindo a ética e valores morais. Outras duas drogas também são destacadas no livro, utilizadas pelos selvagens da reserva, diferente do soma, estas duas Pyotl e Mescalina são prejudiciais, como a Heroína na sociedade atual.
Toda a obra “Admirável Mundo Novo” é uma reflexão para o processo de desenvolvimento da humanidade. O homem não é mais tão humano. O mundo utópico também difere problemas, talvez controláveis, embora promove caos para população.
Já sabemos que o homem se auto-destrói, criando inconscientemente doenças que antigamente não existiam. Doenças da modernidade, como stress, depressão e diversas outras. Conseguência da evolução da humanidade. Criamos os problemas, achamos à cura e como continuidade outra doença.
Pensando na genética, no estudo do DNA, podemos realmente nos surpreender. Muitos clones de animais já existem espalhados no mundo e clones humanos também já foram concebidos, apensar da polêmica e proibição em mais de 30 países.
Outro fato biológico criticado pela sociedade é a escolha das características dos filhos como o sexo do bebe, cor dos olhos, cabelos, estatura, etc. Opções tentadoras para os pais.
Marcy Darnovsky, diretor executivo do Centro de Genética e Sociedade, esclarece: “Se nós vamos produzir bebês condicionados a serem superiores geneticamente, estamos correndo o risco de criar novas formas de discriminação."(Fonte:ttp://www.superonda.com.br/noticia.php?idnoticia=988&idcanal=12.)
Exatamente o que acontece em Admirável Mundo Mundo, onde a discriminação é sentida pelos grupos gerados das castas inferiores e pelo selvagem John tanto na reserva, quanto na civilização. Para fugir da entropia, John tira a própria vida no desespero de se tornar livre de uma sociedade massificada.
Quem sabe um dia perguntaremos: Aldous Huxley previu o futuro? Sua visão futurista está prestes a acontecer?

Conceitos da Obra de Max Weber.

PS: Se tiveres uma disciplica de Fundamento de Política ou Sociologia... melhor estar preparado: Beijos para prof Shirlei que me deu nota 9... Quase nem acreditei, eita nota boa!


Racionalização, Burocracia, Dominação e Desencantamento do Mundo
A racionalização da sociedade ocidental é um dos principais conceitos na obra de Max Weber. Weber era orientado pela tradição alemã do pensamento de Kant, que concebe um dualismo entre ciências naturais e sociais, indo contra o positivismo em sua forma tradicional.
Weber queria compreender os fatos sociais pela sua essência, utilizando sua sociologia. Para entender a sociedade, Weber vai além dos fundamentos das ações humanas e das relações pessoais baseadas no tradicionalismo.
A Vida Social seria composta de um politeísmo de valores de combate mútuo, novas formas da sociedade de pensar e agir que favorecem o processo produtivo, fazendo assim, o Estado evoluir e modificar com a centralização do sistema tributário.
As reflexões de Weber sobre o capitalismo ocidental, a sociologia da religião e os tipos de dominação ajudaram a entender o mundo moderno.
Na religião, Weber encontra uma racionalização ética com caráter autônomo ao observar a sociedade, solucionando problemas sociais e políticos através da influencia religiosa. No estudo de Weber, as ações humanas, ciência, política, etc, só tem razão de ser, se é para garantir a liberdade.
Já a burocracia é o conceito mais importante de sua obra. Para Max Weber a burocracia é um instrumento de poder na estrutura social da modernidade ocidental. A burocracia era a administração, poder, uma estrutura social e um tipo de organização, que estava presente em todas as organizações: Estado, Igreja, partidos etc.
Para Weber os fatores que desenvolveram a burocracia foram a economia monetária, utilizando a “moeda” para transações econômicas e a Superioridade Técnica, sendo a burocracia a organização de maior poder.
É uma formação social que segue princípios da área jurídica tendo regras que devem ser obedecidas pela sociedade e é uma individualidade histórica. Então, a burocracia é uma organização ligada por leis e normas.
Há um divisão racional de trabalho com relacionamento a nível de cargos com uma hierarquia onde um cargo inferior é controlado por alguém do cargo superior. Os “funcionários” obedecem à burocracia sem autonomia. As pessoas são escolhidas através da Meritocracia, baseado no mérito e na competência técnica.
Outro conceito da obra de Weber é a Dominação ou seja, uma maneira de encontrar uma forma de obediência para uma ordem. Existe um dominante e o dominado, onde existe um quadro administrativo ou grupo que está sobre ordens dominantes. Este conceito é relacionado à probabilidade de impor a própria opinião ou desejo numa relação social burocrática.
Tipos de dominação/poder:
- Tradicional: autoridade conservadora de fidelidade tradicional, Patriarcal e Patrimonialista – Ex. autoridade dos pais sobre filhos, senhor do engenho, senhor feudal. Classificado por Weber, como sendo uma dominação estável, devido a solidez do meio social que age sobre dependência da tradição na consciência coletiva.
- Carismático: conquistado/eleito pelo carisma, heroísmo, oratória, poder intelectual etc. Ex. Lula, Getúlio Vargas, Padre Cíceso. Para Weber, este é de caráter autoritário e imperativo. Contudo classifica a Dominação Carismática como sendo instável.
- Legal, racional ou burocrático: administrativo onde qualquer direito pode ser criado e modificado através de um estatuto. Ex. Chefes de organizações, diretores, governantes. Este tipo de dominação para Weber é classificado como estável, pois é baseado em normas onde o poder é legalmente assegurado.
O desencantamento do Mundo serviu de inspiração para Weber a partir das reflexões de um filósofo alemão Friedrich Schiller. Max Weber deu dois sentidos para este sintagma, um o Desencantamento do Mundo pela Religião e outro como o Desencantamento do Mundo pela Ciência.
Para Weber a Sociologia da Religião se ocupa de duas formas de relação com o sagrado: Magia e Religião. A Magia é o momento antes da religião, uma humanidade animista, imersa num mundo espiritual, capaz de influir na vida humana. No raciocínio weberiano, a Magia está na coerção do sagrado, e conjuração de espíritos. Já a Religião para Weber é respeito, prece, culto e doutrina. Representa um momento cultural da racionalização em relação a Magia, por isso ele chamou de desencantamento a passagem das duas idéias. “... a travessia do império do Tabu ao domínio do pecado, do conjuro para as suplicas e orações”, diz Weber (p. 70).
Desencantamento, religioso e cientifico, o primeiro determina um modo de viver para uma sociedade, uma postura perante o mundo. O segundo rege ao fato de que a ciência não tem capacidade de dar sentido a tudo no mundo, apenas a uma parte de acontecimentos.
A religião é fundamental para compreender este sintagma, ela que dá o sentido ao desencantamento expresso por Weber. Um processo interno da religião com conseguência para o cotidiano da sociedade.
Estes quatro conceitos são a base da obra de Max Weber, ele que foi professor universitário, jornalista fluente, historiador, economista, filósofo e principalmente foi um dos fundadores da sociologia.

Eu estava lá!


Alguém acredita nisso?
Pode confiar, subi no palco e falei, falei, falei.
Sabe a parte boa?
Ninguém me ouviu. O microfone estava desligado e as poucas pessoas que ainda restaram no ambiente devem ter pensado: "Aquela guria deve estar bêbada"
Estava sobria! Queria só aparecer na foto!
Oh momento feliz! Cômico!

PS: Festa Balone - Aniver Tropical FM
PS: Convite Vip pro Coquetel - Tropical FM, faça valer nossa rádio!

sábado, 14 de novembro de 2009

Entrevista com o escritor Ismael Caneppele

Lajeadense, 27 anos, Ismael Caneppele é escritor da obra " Os Famosos e os Duendes da Morte" que gerou um longa metragem dirigido pelo cineastra Esmir Filho. As gravações foram feitas em meados de 2008 aqui na cidade de Lajeado e região.
Em uma entrevista exclusiva Caneppele falou sobre seu livro e a transição da obra para sétima arte: Confira!

Thaty Maldaner: Conte sobre o livro " Os famosos e os duendes da morte".
Ismael Caneppele: O livro fala sobre três dias de angústia na vida de um adolescente que está prestes a partir da sua cidade natal. Nesses três dias, tudo acaba sendo uma despedida. Tudo o que ele vê é como se fosse pela última vez. Nesse processo houve uma reaproximação do universo de Bob Dylan, e Dylan foi um guia durante toda a jornada. Suas canções, filmes e livros me ajudaram muito a encontrar a tônica da partida e, consequentemente, da transformação. Ouso dizer que o livro é uma carta de adeus à minha mãe, à minha casa, e à cidade que um dia foi minha.

Thaty Maldaner: Quando começou a escrever, como foi o processo de criação?
Ismael Caneppele: Comecei a escreve-lo em 2006. A cada novo tratamento, busquei um texto mais sombrio, fugindo de imagens óbvias e tentando me desapegar de uma narrativa cronológica. O fato de o livro ter virado filme, de os personages terem virado pessoas reais, fez com que eu pudesse me libertar de descrições externas para me perder quase que exclusivamente no lado de dentro da cabeça do protagonista. O livro é o vale de sombras pelo qual o garoto sem nome vaga durante três dias. É um limbo. O lugar onde ele espera pelo outro lado. Livro e filme são duas partes da minha história. É difícil definir onde um termina e o outro começa.

Thaty Maldaner: Sua inspiração, onde surgiu a história?
Ismael Caneppele: Surgiu nas tardes em que passei olhando o forqueta virar taquari no alto da ponte de ferro, nas plantações da região de Carneiros onde eu gosto de ficar observando os passaros voltando para o ninho ao entardecer, no quarto onde passei a adolescência e para onde volto sempre que estou em casa. Na biografia de Bob Dylan que me acompanha dese sempre. Nas raízes do folk, canções de protesto e de saudade. Nas noites em arroio do meio bebendo vinho na esquina da casa do Diego com o Marcos, a Fran, o Nêne… A inspiração veio do meu dia a dia quando estou em Lajeado. Veio também dos meus amigos que nunca conseguiram sair daí. Veio dos meus primos mais novos que viviam o mundo através da internet e pediam que eu contasse como era a vida nas grandes cidades. Veio do medo e do desejo que as pessoas têm de ir embora e como elas lidam com essas expectativas e frustraçoes.

Thaty Maldaner: Porque Lajeado foi umas das cidades escolhidas?
Ismael Caneppele: Por causa da ponte de ferro e da beleza das plantações em Carneiros. Lajeado devia estar no filme porque, em breve, tanto a ponte será descaracterizada (com asfalto, semáforo e desmatamento em torno da estrada de acesso), quanto o bairro de Carneiros será inteiramente transformado em um imenso loteamento. Quero que as gerações futuras saibam como era a Lajeado que eu vivi e o cinema é uma arma poderosa para manter a essência de um passado que, em breve, não existirá mais. Um dia os nossos filhos verão esse filme e sentirão saudade de uma época que nós vivemos.

Thaty Maldaner: Qual sua estratégia para prender a atenção do leitor?
Ismael Caneppele: Nenhuma. Não faço a menor questão de prender ninguém. Prefiro pensar em liberdade de identificação. Quando escrevo estou nu e isso sempre acaba interessando alguém.
Thaty Maldaner: Sobre sua infancia: Você utilizou fragmentos ou devaneios particulares e familiares no desenrolar a história?
Ismael Caneppele: Sempre uso. Minha literatura é autobiográfica e eu não faço a menor questão de esconder. Todas as minhas vivencias estão registradas em meus livros e roteiros. Assim como Patty Diphusa, só escrevo sobre o que conheço profundamente. Como o meu caminho é o do autoconhecimento, impossível falar sobre outra coisa que não seja eu mesmo. Afinal, somos a geração big brother.

Thaty Maldaner: O livro virou roteiro, redigido por você e o cineastra Esmir Filho. O que esse pulo na sua carreira significa para você como jovem escritor?
Ismael Caneppele: A diferença é que agora eu sou apontado na rua porque fiz um filme. Antes eu era apontado por coisas bem piores. (risos) Espero que eu faça tanto sucesso a ponto de um dia virar nome de praça ou de rua. Só a fama póstuma me interessa.

Thaty Maldaner: Hoje, com o longa metragem pronto... você foi escritor, roteirista e ator, "multifuncional". Você se considera realizado, motivado a querer mais?
Ismael Caneppele: I just can’t get enough!!! Tenho três argumentos para próximos filmes, um novo livro em processo e uma peça de teatro que preciso desenvolver… sou movido a trabalho e sonho. Me considero realizado para a minha idade, mas a tendência é sempre olhar para frente.

Thaty Maldaner: O que você vê à frente?
Ismael Caneppele: Muito a se fazer! O futuro não será legal se eu não acordar todos os dias pensando em formas de concretizar os meus projetos. A coisa que eu mais abomino é sonho que não vira realidade.

Thaty Maldaner: Como surgiu esta oportunidade? (com o cineastra Esmir Filho que é considerado uma revelação no cinema brasileiro e internacional)
Ismael Caneppele: Acredito em encontros e o Esmir foi um dos grandes encontros que eu tive na minha vida. Quando decido trabalhar com alguém, empenho-me ao máximo para que aconteça e com o Esmir nao foi diferente. Empenhei-me em mostrar o meu melhor e apresentar o meu modo de ver o mundo da forma mais generosa possivel. No fundo, é tudo uma questão de entrega. Viver intensamente e deixar que as coisas aconteçam como elas querem acontecer. É preciso determinação, tranquilidade e comunicação, sempre.

Thaty Maldaner: O filme está participando que festivais nacionais e internacionais. Me conte sobre os festivais, prêmios e críticas.
Ismael Caneppele: O filme está começando a sua carreira agora. Acabamos de ter uma ótima recepção em Locarno, na suíça. Dia 27, participamos do festival de cinema do Rio de Janeiro, competindo com a nata do cinema nacional (beto brant, karim ainouz, suzana amaral…) e ficamos em primeiro lugar! Depois do Rio o filme compete no festival de Biarritz, na frança e no fim de outubro estará na competitiva da Mostra Internacional de Cinema de SP. Quanto à crítica, a revista Variety, mais importante publicação de cinema do mundo, comparou o filme a uma fábula dos irmãos Grimm. Melhor comparação não poderia existir. Estou me sentindo!

Thaty Maldaner: Quando vamos ter a oportunidade de ver sua obra nos cimenas e seu livro publicado.
Ismael Caneppele: Filme e livro caminham juntos em todos os sentidos. A partir de agora, em todos os festivais nacionais onde o filme for apresentado, também haverá um lançamento do livro. O livro lançado em festivais será uma obra em progresso, ou seja, serão edições limitadas e numeradas especialmente para cada evento. Quando o filme estrear nacionalmente em circuito comercial, o que deve acontecer em fevereiro, também o livro estará à disposição em todas as livrarias do Brasil.
----------------------------------------------------------------
PS: Festival de Cinema do RJ 2009 - " Grande vencedor da noite, cumulando o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem de Ficção e o Prêmio Fipresci, foi Os Famosos e os Duendes da Morte, primeiro longa-metragem do diretor Esmir Filho. O Prêmio Fipresci foi decidido por um júri composto por Paulo Portugal (Presidente), Rodrigo Fonseca e Mario Abadde" Fonte: http://www.festivaldorio.com.br/