sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Meu destino ao seu encontro.

No céu iluminado, a lua estava solitária sobre minha cabeça, assim como eu. Gotas finas de chuva molhavam meu rosto enquanto uma corrente fria percorria meu corpo e me impedia de reagir. Fiquei ali, sentada sobre uma grande pedra à beira do penhasco.
- O que pode ser mais difícil do que viver? Nada! Absolutamente nada! – Gritei alto para o infinito unindo as duas pernas na tentativa de me aquecer.
Estou sozinha, abandonada pelo tempo, pelos outros e pela vida. Nada importa. Nada eu temo. Na minha memória, há apenas uma imagem. Daquele rapaz alto, de cabelos claros e desgrenhados, sorriso marcante, olhos dourados e sua pele tão branca como porcelana. Mas ele não era frágil, pelo contrário, era muito forte e viril.
No meu coração, um único sentimento me fazia respirar e viver. O amor. Foi com apenas um olhar, que todo meu corpo reagiu. Fogo, ardência, queimação explodiram dentro de mim.
Seus olhos foram à prova concreta do desejo que ele também sentia. Não havia necessidade de palavras. Meu coração batia tão forte, que tive medo. Não dele, mas de mim mesma.
Com seu toque leve, ele acariciou meu rosto. Tive a sensação que dentro de mim, um único fluido despertava seu desejo. Suas mãos frias desceram até minha cintura envolvendo meu corpo como um casulo.
- Eu quero muito. – Suas palavras saíram em uma sintonia delicada próximo ao meu ouvido. Ele continuou falando baixinho, apesar de não haver mais ninguém por perto. – Estou aqui porque preciso de você e você de mim.
Não conseguia responder, estava prestes a soluçar em suspiros e prantos. Eu o desejava mais do que a minha própria vida.
Comecei a achar que ele estava cedendo ao meu pedido. Respirei profundamente inalando seu cheiro doce. De olhos fechados fui me entregando aos seus braços. – Me transforme. – Implorei.
Ele me soltou e pelos instantes que fiquei ali, de pé e tremula, não ouvi nenhum som. Ao abrir os olhos, ele simplesmente não estava.
Eu corri, corri tão rápido quanto minhas pernas desengonçadas conseguiam reagir. Tropecei em galhos e esbarrei em diversas árvores. Até por fim chegar aqui, na beira desse penhasco.
Um arrepio percorreu minha espinha e eu me pus de pé. Nesse movimento rápido, minha pernas perderam o equilíbrio. Fui em direção a beirada da pedra e não tive dúvidas que cairia os 140 metros em queda livre. Já não tinha mais força, apenas fechei os olhos e deixei meu corpo cair.
Foi quando senti alguém pegar meu pulso e me erguer rapidamente. – O que está fazendo? – Ele perguntou com sua voz grave e autoritária. Estava nervoso, preocupado e muito bravo.
- Não queria, não consegui... não... – Minhas palavras não saiam, meu queixo batia e meu corpo não sentia mais nenhum efeito da baixa temperatura.
Por um instante eu vi seus olhos, estavam negros como a noite e tão brilhantes quanto a lua. Quando ele sorriu, pude ver os dois caninos em destaque.
Apenas deixei a cabeça pender para o lado mostrando a parte nua do meu pescoço. Sem nenhuma palavra de apelo ou desculpas senti seus dentes em minha pele.
Uma onda de calor se expandindo por dentro de mim, toda a tristeza desapareceu como toque de mágica. Naquele instante eu sabia que nada mais seria igual. Porque eu pertencia a ele e ele pertenceria a mim para toda a eternidade.

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